O que falar do Puerpério?

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O que falar do Puerpério
O que falar do Puerpério

Bem difícil.

Cansaço, medo, culpa. Eu diria que são essas três as primeiras palavras que me vêm à cabeça quando penso em puerpério.

Cansaço extremo é o que sinto na maior parte dos dias, quando me pego com dores na coluna por ter que ninar minha bebê no colo, por ter que realizar as inúmeras trocas de fraldas, por ter que ter todo o devido cuidado ao dar-lhe banho e, por fim, por ter que passar bastante tempo a amamentando. E aliado a todo esse cansaço exaustivo ainda sobra espaço e tempo para o medo e a danada da culpa que insistem em me acompanhar.

Medo por não saber se o que estou fazendo é o mais correto para ela – esse regurgitamento está normal?, a temperatura da água está adequada?, essa pega no seio é a correta? – o que acarreta em mais “zilhôes” de perguntas, todas ligadas ao bendito medo, que inúmeras vezes penso ser inato às mães como forma de garantir a sobrevivência do bebê.

E para completar toda essa loucura de sentimentos eu escolho carregar em meus ombros o peso da culpa. Na realidade, não sei até hoje se é uma escolha ou se é algo irracional esse sentimento intenso que nos acompanha. Porém, sei que racionalidade e sensatez passam distante quando me pego cortando 50% dos alimentos que comia, porque algum deles pode está favorecendo as cólicas da minha filha; quando penso ter feito ela ter pego algum resfriado por a ter deixado com roupa mais leve por conta do calor que fazia no dia (e no fim das contas descubro que não era gripe coisa nenhuma e que os espirros estavam do mesmo jeito que eram antes); me culpo também quando deixo de fazer a troca de fralda na madrugada, mesmo sabendo que já deve estar cheia de xixi (quem quer correr o risco do bebê acordar e depois ter dificuldade em dormir?); quando a deixo chorando para ir ao banheiro (já em um ponto que não dá mais pra segurar) ou para realizar a minha primeira refeição do dia.

Ah! E não posso esquecer de dizer que a quarta palavra que me vem a mente, nesse capítulo da minha vida de mãe, é incoerência. Incoerência quando me pego tocando na minha filha para saber se está bem e correndo o sério risco dela acordar após muito tempo tentando fazê-la dormir e, principalmente, quando me vejo escrevendo esse texto às 4h da manhã, enquanto deveria estar descansando aproveitando todo o tempo que me resta na madrugada.

E hoje, nesses meus 50 dias de puerpério, o sentimento que me faz conseguir passar por tudo isso sem enlouquecer, sem querer largar tudo e sair correndo é o mais puro e extintivo: o amor. E como tudo acontece exatamente no tempo que deve ser, essa fase que me encontro, após o primeiro salto de desenvolvimento (assunto para outro post), vem repleta de sorrisos intencionais, de olhares voluntários a cada brincadeira e fala boba que tenho com ela!

E é assim que consigo continuar caminhando dia após dia, porque o sol que antes estava totalmente escondido atrás de nuvens tenebrosas de chuva começou a dar seu ar da graça e, daqui, eu já consigo ver alguns raios iluminando os meus dias.

No entanto, sigamos no mantra: vai passar, vai passar… Por que eu sei que irá passar e que, talvez, eu possa sentir um dia saudade dessa fase da minha vida.


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